sexta-feira, 24 de outubro de 2014

OMS quer ter 200 mil doses de vacina contra o ebola até meados de 2015

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou planos nesta sexta-feira (24) para acelerar o desenvolvimento e envio de vacinas experimentais contra o ebola, afirmando que centenas de milhares de doses devem estar prontas para uso na África Ocidental até o meio de 2015.
A agência da ONU confirmou que as duas principais vacinas candidatas já estão passando por testes clínicos com humanos, e disse que outras cinco vacinas experimentais também estão sendo desenvolvidas e serão testadas clinicamente no próximo ano.
"Antes do fim do primeiro semestre de 2015... nós podemos ter disponíveis algumas centenas de milhares de doses. Podem ser 200.000 - pode ser menos ou mais", disse Marie-Paule Kieny, da OMS, após reunião em Genebra com executivos da indústria, especialistas globais em saúde, reguladores de medicamentos e financiadores.
Pesquisadores já estão testando duas vacinas candidatas da GlaxoSmithKline e da NewLink Genetics. Uma terceira, da Johnson & Johnson, deve começar os testes humanos em janeiro.

Primeiro caso em Nova York
Craig Spencer, médico da ONG Médicos Sem Fronteiras, que foi internado nesta quinta-feira (23) em um hospital de Nova York teve resultado positivo em um primeiro teste de ebola. Uma análise complementar ainda não teve seu resultado divulgado.
O paciente, de 33 anos, chegou ao centro médico com sintomas da doença e teve o diagnóstico confirmado em um primeiro exame esta noite, informou  prefeito Bill de Blasio. “Os testes realizados confirmaram que o paciente aqui em Nova York tem resultado positivo para ebola”, disse De Blasio.
A epidemia de ebola já matou 4.877 pessoas, de um total de 9.936 infectadas, de acordo com o balanço da OMS desta quarta-feira (22). Os números referem-se aos  casos registrados até o dia 19 de outubro. As ocorrências foram na Guiné, Libéria, Serra Leoa, Espanha, Estados Unidos, Senegal e Nigéria. Estes dois últimos países foram declarados livres da doença em 17 e 19 de outubro, respectivamente.
Na Guiné, Libéria e Serra Leoa, a transmissão continua intensa, de acordo com a OMS, principalmente nas capitais dos três países. A organização acredita que o número de casos ainda é subestimado, sobretudo na capital da Libéria, Monróvia. Nos Estados Unidos e na Espanha, onde houve trasmissões localizadas, autoridades continuam monitorando pessoas que possivelmente tiveram contato com os pacientes.

Confirmado primeiro caso de ebola em Nova York


Reunião de Obama e seu gabinete para tratar da crise do ebolaAP Photo/Jacquelyn Martin
As autoridades de Nova York confirmaram nesta quinta-feira (23) o primeiro caso de ebola no Estado, um médico que trabalhou na Guiné, mas asseguraram que "não há motivo de alarme" porque a cidade está se preparando há meses para esta situação.
"As possibilidades de o nova-iorquino médio contrair ebola continuam sendo muito, muito pequenas", afirmou o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em entrevista coletiva com outras autoridades do Estado.
Craig Spencer, de 33 anos, trabalhou na Guiné com a organização humanitária MSF (Médicos sem Fronteiras) e deixou o país no último dia 14. Ele chegou a Nova York depois de uma escala na Europa. "Estivemos nos preparando por meses para isto", afirmou De Blasio, que estava acompanhado, entre outros, pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, e por responsáveis de saúde do Estado.
A encarregada de saúde da cidade, Mary Travis Bassett, disse que o teste que comprovou que Spencer está infectado pelo vírus ebola foi feito no hospital em que está internado, no Bellevue. Ela assinalou que outra análise será feita nos laboratórios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), com sede em Atlanta, e os resultados sairão nas próximas 24 horas. Spencer chegou em Nova York a 17 de outubro pelo aeroporto JFK, e teve uma vida normal até começar a sentir febre e outros sintomas próprios do ebola na manhã da quinta-feira.

EBOLA



O que é Ebola?

Ebola é uma doença causada por um vírus de mesmo nome, e seu principal sintoma é a febre hemorrágica, que causa sangramentos em órgãos internos. O vírus é nativo da África, onde surtos esporádicos ocorrem ao longo de décadas.
É uma doença grave e muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade de até 90%, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). O ebola é transmitido pelo contato direto com o sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectadas. Pacientes gravemente doentes requerem tratamento de suporte intensivo. Durante um surto, aqueles com maior risco de infecção são os profissionais de saúde, familiares e outras pessoas em contato próximo com pessoas doentes e pacientes falecidos.
O vírus Ebola foi descoberto em 1976 e acontecem surtos esporádicos desde então. Os primeiros registros do vírus Ebola foram encontrados em macacos, chimpanzés e outros primatas não humanos que vivem na África. Uma cepa mais branda de Ebola foi descoberta em macacos e porcos nas Filipinas - no entanto, o vírus das Filipinas não causa doença em humanos. A doença recebe esse nome por causa do rio Ebola, na República Democrática do Congo, onde o vírus foi encontrado pela primeira vez.
Hoje, o que se acredita é que o morcego seja o responsável por transmitir o vírus para outros animais. Nele o vírus não provoca doença. Mas uma fruta meio comida por um morcego e encontrada por outro animal já pode dar início à epidemia. Macacos, antílopes e porcos-espinho também são afetados pela doença. É possível entrar em contato com o vírus visitando lugares com infestação de morcegos (como minas e cavernas) ou manipulando o tecido de algum animal morto pelo Ebola.

Tipos

Existem seis subtipos do vírus Ebola. Sendo que os cinco mais conhecidos são:
  • EbolaZaire
  • Ebola-Sudão
  • Ebola-Costa do Marfim
  • Ebola-Bundibugyo
  • Ebola-Reston.
Foi descoberto recentemente uma sexta cepa do vírus, que teve os primeiros casos registrados na República Democrática do Congo.
Todos estes subtipos são encontrados na África, exceto o Ebola-Reston, que é encontrado somente nas Filipinas. O vírus Ebola-Reston também é o único subtipo que não vai causar doenças em seres humanos, uma vez que afeta apenas animais.

Causas

É possível contrair Ebola por meio do contato direto com os fluidos corporais de um animal infectado ou humano. Estes incluem sangue, saliva, sêmen, vômito, urina ou fezes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, também é possível adquirir o vírus por lidar com um animal selvagem doente ou morto que tenha sido infectado. Há alguma evidência de que o vírus Ebola pode ser transmitido através do ar a partir de primatas não humanos para primatas não humanos, como de macaco para macaco. Não há estudos definitivos provaram isso, entretanto.
Uma pessoa infectada normalmente não se torna contagiosa até que desenvolva sintomas. Os membros da família são frequentemente infectados ao cuidar de parentes doentes ou mortos. Profissionais podem entrar em contato com o vírus se não usarem equipamentos de proteção, como máscaras cirúrgicas e luvas. Ela não é altamente transmissível, basta diagnosticar o paciente e isolar.

Fatores de risco

Para a maioria das pessoas, o risco de contrair de Ebola é baixo. No entanto, as chances aumentam se você:
  • Visita áreas nas quais há surto de Ebola
  • Realiza pesquisas em animais, principalmente primatas originários da África ou Filipinas
  • Fornece assistência médica ou pessoal para pessoas infectadas
  • Prepara pessoas infectadas para o enterro, uma vez que os corpos das pessoas contaminadas ainda podem transmitir a doença.
  • Sintomas de Ebola

    Pacientes expostos ao vírus Ebola devem começar a apresentar sintomas entre dois a 21 dias após o contato com a doença, que tem início rápido. Os sintomas iniciais se assemelham aos de uma infecção comum da gripe. Veja:
    Conforme o Ebola progride, os sintomas tornam-se mais grave. Sintomas de Ebola em estágio final podem incluir:
    • Vômitos
    • Diarreia
    • Vermelhidão nos olhos
    • Inchaço dos genitais
    • Hemorragia interna e externa (alguns pacientes podem ter sangue saindo de seus olhos, nariz, boca, orelhas ou reto)
    • Erupção ou hemorragia ao longo da pele e mucosas.